POR UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA: Descolonizar currículos como desafio para a construção da democracia

Resumo

Este trabalho, de caráter bibliográfico e documental, tem por objetivo discorrer sobre como a colonialidade opera por meio do currículo, discutindo a forma de organização do conhecimento nas escolas de educação básica, que acaba por privilegiar perspectivas racistas, colonialistas e epistemicidas, sustentando assim a colonialidade implantada nos continentes não europeus, especificamente no Brasil, apresentando-se, assim, como um desafio a implementação das Leis 10.639/03 e a Lei 11.645/08. Dessa forma, busca-se analisar as contribuições dos estudos do Grupo Modernidade/Colonialidade, tendo em vista que o pensamento decolonial propõe a construção de um conhecimento outro, a partir da consideração de outros tipos de conhecimento, uma vez que a luta pelo direito ao ensino da cultura e história dos povos de origem africana e dos povos indígenas tem um longo caminho percorrido. Fala-se de um currículo que possa estabelecer um diálogo com as demais culturas, não se tratando simplesmente de troca de centralidades, mas sim da inclusão de outras visões de mundo.


 

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Maria Virginia Freire dos Santos Carmo

Coordenadora pedagógica no município de Porto Seguro. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em ensino e Relações Étnico-Raciais da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Porto Seguro-BA.

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Publicado
2020-12-24
Como Citar
CARMO, Maria Virginia Freire dos Santos. POR UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA: Descolonizar currículos como desafio para a construção da democracia. Revista PINDORAMA, [S.l.], v. 11, n. 1, p. p. 173-186, dez. 2020. ISSN 2179-2984. Disponível em: <https://publicacoes.ifba.edu.br/index.php/Pindorama/article/view/829>. Acesso em: 06 maio 2021.

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