ANA E MARIA: UMA ANÁLISE DAS APROXIMAÇÕES E DISTANCIAMENTOS DAS PERSONAGENS DE CLARICE LISPECTOR E CONCEIÇÃO EVARISTO

  • Isadora Machado Santos Uneb

Resumo

O presente artigo centra-se na abordagem crítica de duas personagens femininas, Ana e Maria, dos contos “Amor” e “Maria”, que integram a obra Laços de Família (2013) e Olhos D’água (2016) das autoras Clarice Lispector e Conceição Evaristo, respectivamente, com o objetivo de analisar os mecanismos ideológicos que as aproximam e as distanciam enquanto mulheres. Em vista deste aspecto, tornam-se evidentes eixos interseccionais que atravessam a vida das personagens em estudo, inseridas numa sociedade estruturalmente capitalista, racista e sexista. Nesse contexto, a produção escrita feminina vem apresentando notória contribuição à Literatura (Afro)-brasileira como forma de questionar as ideologias que sustentam os mecanismos opressores da sociedade e subverter a ordem vigente e o próprio cânone literário, que por muito tempo privilegiou a produção literária de autores brancos e percebidos como a única possibilidade de representação literária possível. Ao privilegiar o estudo das obras desse contingente de autores, o cânone literário acaba incidindo na exclusão de produções também importantes para a sua historicidade como, por exemplo, a literatura escrita por mulheres.

Referências

BEAUVOIR, Simone. O segundo sexo. 2.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.

BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Tradução de Maria Helena Kühner. 2.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

CRENSHAW, Kimberlé Williams. A intersecionalidade na discriminação de raça e gênero. Cruzamento: Raça e Gênero. Brasília: Unifem, 2004, p. 7-16. Disponível em: https://static.tumblr.com/7symefv/V6vmj45f5/kimberle-crenshaw.pdf . Acesso em: 15 nov. 2020.

CRENSHAW, Kimberlé Williams. Mapeando as margens: interseccionalidade, políticas de identidade e violência contra mulheres não-brancas. 2017. Traduzido por Carol Correia. Disponível em: https://medium.com/revista-subjetiva/mapeando-as-margens-interseccionalidade-pol%C3%ADticas-de-identidade-e-viol%C3%AAncia-contra-mulheres-n%C3%A3o-18324d40ad1f. Acesso em: 05 nov. 2020.

COLLINS. Patricia Hill. O pensamento feminista negro. São Paulo: Boitempo, 2019, p.35.

EVARISTO, Conceição. Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade. Scripta, Belo Horizonte, v. 13, n. 25, p. 17-31, 2º sem. 2009. Disponível em: http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/4365/4510. Acesso em: 05 nov. 2020.

EVARISTO, Conceição. Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas, Fundação Biblioteca Nacional, 2016.

GOMES, Nilma Lino. Alguns termos e conceitos presentes no debate sobre relações raciais no Brasil: uma breve discussão. In: BRASIL. Ministério da Educação (org.). Educação anti-racista: caminhos abertos pela lei Federal nº 10.639/03. Brasília: SECAD, 2005. Disponível em: https: //goo.gl/M2Yc9j. Acesso em: 10 set. 2016.

LEMAIRE, Ria. Repensando a história literária. In: HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1994. p. 58-71.

FRIEDAN, Betty. A mística feminina. Rio de Janeiro: Rosas dos Tempos, 2020.

KEHL, Maria Rita. Deslocamentos do feminino. São Paulo: Boitempo, 2016.

LISPECTOR, Clarice. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco Digital, 2013.

NUNES, Benedito. Leitura de Clarice Lispector. São Paulo: Quíron, 1973

SANT’ANNA, Afonso Romano de. Análise estrutural de romances brasileiros. 2.ed. Petrópolis: Vozes, 1973.

SCAVONE, Lucila. A maternidade e o feminismo: diálogo com as ciências sociais. Cadernos Pagu, v.16, p. 137-150,nov. 2001. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/cpa/n16/n16a08.pdf. Acesso em: 05 nov. 2020.

SOUZA, Claudenir de. Mulheres negras contam sua história. Brasília: Presidência da República, Secretaria de Políticas para as Mulheres, 2013. Disponível em:https://www.gov.br/mdh/pt-br/centrais-de-conteudo/igualdade-racial/livro-mulheres-negras-contam-sua-historia/view. Acesso em: 08 nov. 2020.

SOUZA, Claudete Alves da Silva. A solidão da mulher negra: sua subjetividade e seu preterimento pelo homem negro na cidade de São Paulo. 2008. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2008.

VERGUEIRO, V. Pensando a cisgeneridade como crítica decolonial. In: MESSEDER, S.; CASTRO, M.G.; MOUTINHO, L. (org.). Enlaçando sexualidades: uma tessitura interdisciplinar no reino das sexualidades e das relações de gênero [online]. Salvador: EDUFBA, 2016, p. 249-270. Disponível em: https://doi.org/10.7476/9788523218669.0014. Acesso em: 22 nov. 2020.

ZOLIN, Lúcia Osana. Questões de Gênero e de Representação na contemporaneidade. Letras, Santa Maria, v. 20, n. 41, p. 183-195, jul./dez. 2010.
Publicado
2020-12-31
Como Citar
SANTOS, Isadora Machado. ANA E MARIA: UMA ANÁLISE DAS APROXIMAÇÕES E DISTANCIAMENTOS DAS PERSONAGENS DE CLARICE LISPECTOR E CONCEIÇÃO EVARISTO. ENLACES - Revista de Estudos Linguísticos e Literários, [S.l.], v. 1, n. 1, p. 160-179, dez. 2020. ISSN 2675-9810. Disponível em: <https://publicacoes.ifba.edu.br/index.php/enlaces/article/view/771>. Acesso em: 06 maio 2021.
Seção
ARTIGOS