A PALAVRA COMO TECNOLOGIA DE PODER E DE EMANCIPAÇÃO NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DE PESSOAS NEGRAS

Autores

  • SAZANA ASSUNÇÃO MARTINS DOS SANTOS Universidade Federal da Bahia - UFBA

DOI:

https://doi.org/10.55847/6vqnaa87

Palavras-chave:

Linguagem; Racismo linguístico; Educação profissional, Feminismo negro; Educação antirracista

Resumo

Este trabalho consiste em um ensaio teórico, de natureza qualitativa, que tem como objetivo discutir a linguagem como tecnologia de poder no processo educativo e emancipatório de pessoas negras, com ênfase no campo da educação profissional. Parte-se do entendimento de que a linguagem não constitui apenas um instrumento neutro de comunicação, mas um dispositivo que participa da produção de sentidos, da organização das relações sociais e da constituição das subjetividades. Nesse sentido, investiga-se como as práticas linguísticas podem operar tanto como mecanismos de reprodução do racismo estrutural quanto como ferramentas de resistência, afirmação identitária e construção de novos horizontes de emancipação. O debate é desenvolvido a partir de referenciais do feminismo negro, dos estudos decoloniais e da pedagogia crítica, mobilizando contribuições de intelectuais como Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, Beatriz Nascimento, Gabriel Nascimento, bell hooks e Frantz Fanon. A partir desse diálogo teórico, o ensaio problematiza o racismo linguístico presente nos espaços educativos e analisa de que modo determinadas hierarquias linguísticas podem reforçar processos de exclusão, silenciamento e deslegitimação de saberes produzidos por sujeitos negros. No âmbito da educação profissional, tais dinâmicas incidem diretamente sobre a formação de estudantes negros, influenciando suas experiências educativas, suas trajetórias formativas e suas possibilidades de inserção no mundo do trabalho. Argumenta-se que uma educação comprometida com a justiça social precisa reconhecer a pluralidade linguística, cultural e epistemológica como condição fundamental para a construção de práticas pedagógicas antirracistas, capazes de promover reconhecimento, equidade e emancipação.

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Publicado

2026-05-21