COMIDA É LINGUAGEM: REFLEXÕES SOBRE A CULTURA ALIMENTAR CAIÇARA COMO INSPIRAÇÃO PARA UMA EDUCAÇÃO DECOLONIAL

Autores

  • Juliana Fernandes Silva de Oliveira Instituto Federal de Brasília - IFB

DOI:

https://doi.org/10.55847/5kyabq19

Palavras-chave:

cultura alimentar, educação decolonial, caiçara, saberes tradicionais

Resumo

Este artigo visa refletir sobre a cultura alimentar como uma forma de inspirar uma educação que seja decolonial, partindo da compreensão de que a alimentação não se reduz ao pertencimento, transmissão de saberes, relação com o território e produção de mundos. A partir de revisão bibliográfica e de reflexões ancoradas em pesquisa de campo realizada com comunidades caiçaras da Ilha Grande, argumenta-se que práticas tradicionais relacionadas ao cultivo na roça,  aos quintais, a pesca, a casa de farinha, as receitas, os modos de preparo e a partilha dos alimentos configuram uma pedagogia territorializada. Tais práticas ensinam observação, temporalidade, reciprocidade, cuidado, leitura e interpretação do ambiente, e interdependência entre humanos e não-humanos, buscando desfazer dicotomias como natureza/cultura, teoria/prática e escola/vida. Nesse sentido, a cultura alimentar caiçara oferece pistas consistentes para pensar uma educação comprometida com a valorização dos saberes tradicionais, com o reavivamento do sentimento de pertencimento e com formas menos coloniais de ensinar e aprender. Reconhecer a comida como linguagem amplia o campo educacional e favorece a construção de práticas pedagógicas sensíveis ao território, à memória e à experiência.

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Publicado

2026-05-21