O OBSERVATÓRIO DE EDUCAÇÃO CIENTÍFICA COMO DISPOSITIVO DE PRODUÇÃO DO ESPAÇO: CARTOGRAFIAS DO VIVIDO NA ESCOLA PÚBLICA
DOI:
https://doi.org/10.55847/7zv98t94Palavras-chave:
Educação Científica; Produção do Espaço; Projeto da Rádio; Observatório de Educação Científica, Protagonismo Estudantil.Resumo
O presente artigo analisa a importância do Observatório de Educação Científica, que se caracteriza como um dispositivo/diapositivo de produção do espaço e de promoção da emancipação juvenil. A investigação fundamenta-se na articulação dialética entre a teoria da produção do espaço de Henri Lefebvre, a pedagogia problematizadora de Paulo Freire e as discussões sobre tecnologias e práticas decoloniais na contemporaneidade. O objetivo consiste em investigar como as trajetórias de pesquisa de estudantes/pesquisadores do Ensino Fundamental, mediadas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação - TIC, no âmbito do projeto "A Rádio da Escola na Escola da Rádio", contribuem para a ressignificação do território vivido e para o fortalecimento do protagonismo estudantil. Metodologicamente, o trabalho ampara-se em uma abordagem documental e em um estudo bibliográfico, centrando-se na análise das investigações de duas estudantes da Escola Municipal Governador Roberto Santos, pesquisadoras do Projeto “A rádio da escola na escola da rádio”. Suas pesquisas abordaram, respectivamente, o Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá como símbolo de resistência na Engomadeira e as manifestações de resiliência cultural nas artes de rua da região do Cabula. Os resultados revelam que o projeto atua como um campo de imersão, que permite a transição da curiosidade ingênua para a curiosidade epistemológica, conferindo status de ciência pública às narrativas periféricas e rompendo com silenciamentos históricos, fatores que justificam a importância do Observatório. Conclui-se que a educação científica, ao ser plenamente retomada no cenário de pós-pandemia em 2024, reafirma-se como uma práxis transformadora capaz de converter o espaço percebido em um espaço vivido consciente, crítico e autoral, consolidando a escola pública como polo produtor de saberes geográficos e sociais.
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