DESENHO, INFÂNCIA E REPRESENTAÇÃO

Resumo

Eis uma revisão bibliográfica acerca da relação entre representação e a ação de desenhar no contexto da infância. A problemática norteadora é: em que medida o imaginário se manifesta no desenho da criança? É relevante discutir a relação entre desenho e infância, contextualizando conceitos como desenho, infância e criança. A conceituação de infância é pensada a partir de Müller e Hassen (2009), como fenômeno híbrido e condição social do ser criança; e Freud (1980), que entende a infância em perspectiva atemporal. Os termos imaginário e representação são postos na perspectiva de Pesavento (1995) e Gombrich (1995). Elucidar as possíveis relações entre o ato de desenhar na infância e o imaginário da criança é um dos caminhos pensados com o intuito de responder a problemática inicial. O desenho, sobretudo na infância, se mostra como representação gráfica emaranhada ao imaginário da criança. As considerações finais apontam que o desenho carrega consigo traços do imaginário conexos a um fluxo de acontecimentos, no qual a criança está inserida. O desenho se constitui entrelaçado a acontecimentos, não é pura representação gráfica.

Referências

ALMEIDA, Rosângela Doin. Do desenho ao mapa: iniciação cartográfica na escola. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2003.

DERDYK, Edith. Formas de pensar o desenho: desenvolvimento do grafismo infantil. São Paulo: Scipione, 1994.

FREUD, Sigmund. Extratos dos documentos dirigidos a Fliess. In: FREUD, Sigmund. Edição Standard Brasileiras das obras Psicológicas completas de S. Freud. Tradução Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1980.

GOMBRICH, Ernst. Arte e ilusão: Um estudo da psicologia da representação pictórica. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

IAVELBERG, Rosa; TRINDADE, Rafaela Gabani. Arte infantil: do Pré-Simbolismo ao Abstracionismo. ARS (São Paulo), 2009, vol.7, no.14, p.86-97. ISSN 1678-5320. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-53202009000200007. Acesso em: 20 Out. 2018.

LOWENFELD, Viktor; BRITTAIN, W. Lambert. Desenvolvimento da Capacidade Criadora. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

MÜLLER, Fernanda; HASSEN, Maria de Nazareth Agra. A infância pesquisada. Psicologia USP [online], Set 2009, vol.20, no.3, p.465-480. ISSN 0103-6564. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-65642009000300009 Acesso em: 20 Set. 2020.
PESAVENTO, Sandra Jatahy. Em busca de uma outra História: imaginando o imaginário. Revista Brasileira de História, v. 15, n. 29, p. 9-27, 1995.

PILLAR, Analice D. Desenho e escrita como sistema de representação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.

SANTOS, Litza Pereira. Produção acadêmica sobre desenho na educação infantil. In: Lílian Miranda Bastos Pacheco (org.). Temas essenciais na Educação Infantil. Salvador: EDUFBA, 2014.

TUAN, Yi-Fu. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. Tradução Lívia de Oliveira. Londrina: Eduel, 2012.
Publicado
2020-12-31
Como Citar
BRAZ, Suzane Costa Lopes; PACHECO, Lilian Miranda Bastos. DESENHO, INFÂNCIA E REPRESENTAÇÃO. ENLACES - Revista de Estudos Linguísticos e Literários, [S.l.], v. 1, n. 1, p. 60-72, dez. 2020. ISSN 2675-9810. Disponível em: <https://publicacoes.ifba.edu.br/index.php/enlaces/article/view/778>. Acesso em: 06 maio 2021.
Seção
ARTIGOS