Mas lobisomem você já viu? As estratégias de anáfora do objeto direto
Uma análise sociolinguística da variedade rural afro-baiana
DOI:
https://doi.org/10.55847/enlaces.v5i1.1181Palavras-chave:
Objeto direto anafórico, Variação, Contato linguísticoResumo
Este trabalho analisa as estratégias de anáfora do objeto direto na comunidade do Maracujá, correlacionando com os fatores sociais e linguístico. Este fenômeno, essencial para a diferenciação entre as variantes do idioma, tem atraído a atenção de muitos pesquisadores nos últimos anos. O objeto direto anafórico (ODA) não apenas ilustra as particularidades do português brasileiro, mas também serve como um indicador das interações sociais e das hierarquias linguísticas presentes nas comunidades de fala. Seguindo-se os pressupostos teórico-metodológicos da sociolinguística variacionista (Weinreich; Labov; Herzog, 2006; LABOV, 2008). Nesta primeira descrição feita com os dados levantados, foi registrada a preferência dos falantes pelo uso da categoria vazia (70%), sintagma nominal anafórico (17%) e do pronome lexical (13%). Não houve retomadas com o clítico acusativo. A análise levou em consideração o traço semântico [± animado] e as variáveis sociais gênero e faixa etária, constatando em que medida o sexo do informante, faixa etária e animacidade do referente pode influenciar quanto ao uso variável. A análise da distribuição das variantes categoria vazia e pronome lexical segundo o traço semântico de animacidade revela que as escolhas pronominais no português rural afro-brasileiro são fortemente influenciadas pelo status animado do antecedente. Conectando com as pesquisas clássicas de Duarte (1986), Cyrino (1994), Figueiredo (2004). Os resultados encontrados nesta análise com os dados preliminares permitiram fazer uma descrição prévia do comportamento da comunidade do Maracujá em relação ao fenômeno.
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