Por uma pedagogia da variação linguística quilombola
Práticas interculturais e antirracistas a partir do Quilombo Mundo Novo (Buíque-PE)
DOI:
https://doi.org/10.55847/g9mv4g89Palavras-chave:
Educação quilombola, Variação linguística, Racismo linguístico, Interculturalidade crítica, Letramentos de reexistênciaResumo
Este artigo discute práticas pedagógicas interculturais e antirracistas para o ensino de Língua Portuguesa em comunidades quilombolas, a partir dos dados da dissertação “Crenças e atitudes linguísticas do Quilombo Mundo Novo de Buíque-PE: repercussões educacionais”. A pesquisa de mestrado revelou que as quilombolas internalizam discursos de inferiorização linguística, compreendendo a escola como espaço de “aprender a falar certo” e reproduzindo uma visão normativa da língua. Com base nesses achados, propõe-se uma Pedagogia da Variação Linguística Quilombola fundamentada em três pilares: a pedagogia do contínuo e da adequação linguística, os letramentos de reexistência e a formação docente orientada pela interculturalidade crítica. A análise, de abordagem qualitativa e interpretativista, articula os dados empíricos aos pressupostos da Sociolinguística Educacional, da interculturalidade crítica e dos estudos sobre racismo linguístico, em diálogo com as políticas educacionais voltadas à Educação Escolar Quilombola. Os resultados evidenciam a urgência de uma educação linguística que reconheça e valorize a diversidade linguística quilombola como patrimônio cultural, rompendo com o ciclo histórico de apagamento e silenciamento, reafirmando a linguagem como território de resistência e emancipação.
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