Nominais nus e (in)definitude no português brasileiro contemporâneo
Entre variação interna e contato linguístico
DOI:
https://doi.org/10.55847/xkpcpn06Palavras-chave:
Nominais nus, (In)Definitude, Português brasileiro, Variação linguística, Contato linguísticoResumo
Este artigo analisa o comportamento dos nominais nus e da marcação de (in)definitude no português brasileiro contemporâneo, com foco em enunciados de circulação midiática. O objetivo do estudo é analisar como a presença e a ausência de determinantes interferem na construção de sentidos referenciais em manchetes jornalísticas, chamadas midiáticas e títulos de ampla circulação, descrevendo os efeitos semântico-pragmáticos associados aos diferentes padrões de determinação nominal. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza descritivo-analítica, baseada na análise de sete enunciados selecionados por apresentarem distintas configurações de referenciação nominal. O referencial teórico fundamenta-se nos conceitos de definitude, indefinitude, especificidade, genericidade, referenciação nominal e nominais nus, articulados às contribuições da semântica formal, da gramática de usos e da sociolinguística variacionista. Os resultados mostram que a ausência de artigo não corresponde automaticamente à indefinitude, assim como a presença de artigo não garante interpretações referenciais unívocas. Os dados evidenciam que nominais nus singulares e plurais podem assumir leituras genéricas, existenciais ou contextualmente definidas, dependendo da interação entre estrutura gramatical, contexto discursivo e convenções dos gêneros textuais. Conclui-se que a determinação nominal no português brasileiro constitui um fenômeno multifatorial, cuja interpretação resulta da articulação entre sintaxe, semântica, pragmática e condições de uso da linguagem.
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